segunda-feira, 13 de maio de 2013

Athletic Bilbao x Real Sociedad – Um derby peculiar


Sigo escrevendo sobre os Clássicos do Mundo. E o tema de hoje, é um clássico bem peculiar, o derby Basco, Athletic Bilbao x Real Sociedad.
 



Fundado em 1898, o Athletic Bilbao, como o próprio nome denuncia, é da cidade de Bilbao, no país Basco. Por sua vez a equipe da Real Sociedad, fundada em 1909, é natural da cidade de San Sebastian. O país Basco, localizado ao Norte da Espanha e Sudoeste da França e cortado pelos Pirineus, é uma região que desde muito tempo pretende se tornar independente da Espanha.

Essa região possui uma cultura muito rica e própria, o que inclui o idioma e as tradições. Por esse motivo, o país Basco, que foi tolhido de seus próprios costumes durante a ditadura de Franco, defende tanto sua independência. É necessário ressaltar que essa luta não é pacífica. O País Basco, na sua busca separatista, contou com ações do grupo, considerado terrorista por muitas nações europeias, ETA (Pátria Basca e Liberdade). Tal grupo já protagonizou momentos de verdadeiro terror na Espanha como a explosão de um carro bomba no aeroporto de Madrid em 2006. Em 2011 o grupo anunciou um "cessar-fogo" permanente.

Voltando as atenções para o futebol, a rivalidade entre as equipes começou, como várias outras, com a rivalidade entre cidades. Se Bilbao é uma cidade industrial de forte economia, San Sebastián é conhecida por suas belas praias e belezas. Daí vem aquela conhecida relação, trabalhadores x aristocratas. Apesar disso a rivalidade basca não adquiriu, como muitas outras, relações de ódio. Dentro dos estádios a relação entre as torcidas é amistosa.

Equipes unidas com a bandeira basca
Essa relação amigável se deve ao fato de as equipes terem algo próprio da região em comum, uma causa, que é o orgulho basco. Os dois clubes têm arraigadas em si as tradições bascas, e por defenderem algo que lhes é comum, uniram forças em prol da região. Evidente que há grande rivalidade, e no campo os clubes querem vencer, mas há algo maior que os clubes, capaz inclusive de uni-los. Um exemplo claro disso são oportunidades em que os clubes abertamente se deixaram derrotar para favorecer o rival que tinha condições de ganhar algum título.

O histórico de confrontos entre as equipes contabiliza 149 partidas. A vantagem é do Athletic que venceu  64 vezes contra 47 da Real Sociedad, aconteceram também 38 empates. A maior vitória do confronto aconteceu em 1930 quando o Athletic bateu seu rival por 7x1.

Além de nunca ter sido rebaixado para a segunda divisão, ao contrário do rival, o Bilbao tem também um número de títulos maior. São oito conquistas do espanhol, contra duas do rival.

Dois outros fatos que vale a pena ressaltar são as “canteras” e os jogadores que podem atuar pelas equipes. Estes dois fatos são também geradores de rivalidade. Os dois clubes são muito conhecidos pela qualidade de suas categorias de base tendo revelado para o futebol grandes jogadores como Xabi Alonso (foto), Joseba Exteberría, Karanka, Julio Salinas e Bakero. Mais recentemente as equipes revelaram os rápidos meia-atacantes Iker Munían (Athletic) e Griezmann (Real Sociedad).

Há alguns casos muito controversos entre essas equipes no que diz respeito a “roubar” entre si jogadores das categorias de base. O caso mais relevante foi o de Exteberría (foto), jogador símbolo do Athletic que aos 16 anos saiu da Real Sociedad para o rival.

Além disso há ainda o fato de que o Athletic só aceita atletas de origem basca. Ou nascidos no País Basco, ou desenvolvidos em terras Bascas ou filhos de Bascos. Até 1989 foi assim também com Real Sociedad. Hoje a equipe é aberta a quaisquer jogadores.

Nos tempos recentes os times têm variado muito seu desempenho. Após uma bela temporada em 2011-2012 o Athletic passa por maus bocados, e está na parte de baixo da tabela mas sem risco de rebaixamento. Já a Real Sociedad, após anos maus com passagens pela segundona, faz bela campanha e briga por uma vaga na Uefa Champions League.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Mineiro 2013 – Final previsível com resultado imprevisível...


Caros leitores é com muito orgulho que me vejo chegar ao 50º texto do Blog. Para uma data especial como esta, trago um assunto que mexe com o coração dos Mineiros e que tem grandes proporções. O clássico entre Atlético e Cruzeiro. Com a sempre muito boa ajuda de meu amigo Gabriel Freitas, estudante de Jornalismo da UniBH e estagiário no Minas Tênis Clube busco analisar os pontos fortes e fracos das duas equipes, todos aqueles fatores principais que podem desequilibrar o encontro e trazer o título ou para o Atlético ou para o Cruzeiro.


ATLÉTICO

O Galo neste ano vem desempenhando um grande papel tanto na Copa Libertadores quando no Campeonato Mineiro. Foram oito partidas pelo campeonato continental, sete vitórias e uma derrota. No estadual, uma derrota para o rival e uma para a Caldense quando a equipe só teve reservas. De resto mais 11 vitórias.


Principal ponto forte: A movimentação do ataque

O ataque alvinegro este ano tem sido arrasador. Com a volta de Diego Tardelli não só ficou suprida a tão chorada "lacuna-Danilinho" como o time melhorou absurdamente. Isso porque o atacante agregou mais movimentação do ataque e agora se vê tranquilamente Bernard e Tardelli pelos dois flancos, Ronaldinho infiltrando como centroavante e Jô também atuando pelas pontas. Em suma, uma frente ofensiva muito difícil de ser marcada, tanto pela movimentação quanto pela qualidade de seus jogadores. Quando jogaram os quatro titulares o Galo sempre venceu. E com a recuperação das lesões de Diego Tardelli e Bernard a tendência é que todos estejam em campo nas finais.

Principal ponto fraco: Os espaços nas laterais

Sim, Marcos Rocha foi o melhor lateral direito do ano passado no futebol brasileiro. Mas o que o levou a esse posto foi sua vocação ofensiva e não defensiva. Tanto ele quanto o lateral esquerdo, Richarlyson, têm apresentado algumas dificuldades defensivas e o Atlético, não raro, tem sofrido com os espaços que os laterais têm deixado nas costas apesar da boa cobertura feita pelos volantes. Se não estiverem realmente bem, é por ali o caminho mais fácil para penetrar na competente zaga formada pelas torres Leonardo Silva e Réver.

Quem pode desequilibrar: Diego Tardelli, o atacante, como tem sido amplamente noticiado, retornou ao clube mais maduro taticamente. Ocupou o flanco direito da equipe e tem conduzido a movimentação ofensiva do Galo. É claro que seus companheiros também podem desequilibrar mas é Tardelli, que chegou aos 80 gols pelo Atlético, que mais tem feito falta ao time nas suas ausências. E sua presença realmente deverá ser fator de desequilíbrio nas partidas finais ante o rival Cruzeiro.

Time Base: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver (c) e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete; Bernard, Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli; Jô. Téc. Cuca

Jogadores fora por lesão: Serginho e Guilherme. Leonardo Silva é dúvida com uma pequena fratura na mão.

Jogadores fora por suspensão: Ninguém.

CRUZEIRO

O Cruzeiro está invicto na temporada. A equipe celeste disputou duas partidas na Copa da Brasil, ocasiões em que venceu o CSA-AL e Resende-RJ. No estadual são trezes jogos, com doze vitórias e um empate. Motivado pela boa fase do rival, o clube contratou o treinador Marcelo Oliveira, que teve dois anos bons no Coritiba. Além disso o clube também foi às compras, qualificando seu elenco.

Principal ponto forte: Qualidade das peças ofensivas de meio-campo e do ataque.

Nas últimas duas temporadas, a equipe celeste sofreu com a falta de opções ofensivas de boa qualidade. Para essa temporada, o Cruzeiro se desfez do argentino Walter Montillo, mas trouxe boas opções para a posição. A chegada de Diego Souza, mais experiente e maduro,  e dos jovens Ricardo Goulart, Lucca e Everton Ribeiro aliadas à manutenção do jovem Élber, fortaleceram a armação que agora abastece melhor o ataque. Este, por sua vez, também se reforçou com bons valores: Dagoberto, Ananias e Luan. A eles se junta o remanescente Borges que já marcou sete gols na temporada e é um dos artilheiros do Campeonato Mineiro.

Principal ponto fraco: Rotatividade de zagueiros na equipe titular

O técnico Marcelo Oliveira, no inicio da temporada sofreu para decidir quem formaria a dupla de zaga celeste na temporada. As opções eram os contratados Bruno Rodrigo (foto), Paulão (foto) e Nirley e também Thiago Carvalho e Léo, que já estavam no elenco. Léo é ainda a opção preferida do treinador. As mudanças devem ser ainda mais constantes com a contratação de Dedé, que poderá jogar apenas na Copa do Brasil e Brasileirão. Acertando a zaga, a raposa deve se fortalecer. Apesar disso a dupla de zaga segue sendo o ponto mais fraco da equipe.

Quem pode desequilibrar: O armador Everton Ribeiro, disputado por várias equipes no início da temporada, vem sendo na opinião de muitos especialistas, o destaque do Cruzeiro na temporada. Com boas jogadas individuais e passes importantes para os atacantes Borges e Dagoberto, pode ser o diferencial nos confrontos finais contra o rival. Everton Ribeiro já fez seis gols na temporada.

Time Base: Fábio (c); Ceará, Bruno Rodrigo, Léo e Everton; Leandro Guerreiro, Nilton; Everton Ribeiro, Diego Souza e Dagoberto; Borges. Téc. Marcelo Oliveira

Jogadores fora por lesão: Henrique, Lucca, Luan e Victorino.

Jogadores fora por suspensão: Nenhum.


Disposição tática provável das equipes

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Olympiacos x Panathinaikos – o clássico dos inimigos eternos

Caros leitores, continuo escrevendo sobre os Clássicos do Mundo dessa vez sobre um dos mais quentes encontros do mundo, o derby  grego Olympiacos e Panathinaikos.



Olympiacos x Panathinaikos maior clássico de um dos países mais antigos de toda a história da humanidade, a Grécia, tem a origem de sua rivalidade ligada principalmente às classes que originaram os clubes e ao territórios onde foram criados.

O Panathinaikos fundado em 1908, é da cidade de Atenas e foi fundado pela antiga classe abastada da cidade. Seu rival o Olympiacos foi criado 16 anos depois em 1925 em Pireus, cidade da região metropolitana de Atenas importante pelo seu porto, o Porto do Pireu (fundado aproximadamente no século V a.C), que durante grande parte da história grega teve muita importância a nível de mundo(aproximadamente até o século XIX) e ainda hoje é o maior porto grego. O clube foi criado pelos trabalhadores das Docas, ou seja por uma classe trabalhadora.

Este clássico é também marcado por outras rivalidades que não a do futebol, sendo os dois clubes, no panorama grego, bem sucedidos ainda no volei, no basquete e no polo aquático. E é do volei que vem uma das maiores tragédias da história dos encontros em 2007 um torcedor de 22 anos do Panathinaikos foi morto em uma briga que antecedeu uma clássico nas quadras. Outro problema aconteceu neste ano na final da Copa Grega de Basquete (foto abaixo) em que torcedores invadiram as tribunas e destruíram assentos, sendo necessária intervenção policial com o uso de granadas de efeito moral. Felizmente não houve mortes. No futebol no ano passado uma partida chegou a ser suspensa devido ao confronto ocorrido entre os conhecidos hooligans e a polícia.

Nos gramados o primeiro choque entre os rivais aconteceu em 1930, e curiosamente o primeiro jogo foi também o de maior placar. Os verdes do Panathinaikos venceram por 8x2. No total foram 178 jogos com 73 vitórias do Olympiacos,  45 vitórias do Panathinaikos e 60 empates. A vantagem é do Olympiacos, mas o rival se gaba daquela longínqua goleada por 8x2.

Os jogadores que mais marcaram no derby são Giorgos Sideris, dos vermelhos, que marcou 13 gols e Saravakos (foto), dos verdes, com 16 gols. 21 foram os jogadores que saíram de um clube para o outro, destacam-se o ex-goleiro Nikopolidis, sempre lembrado pelos cabelos grisálios, goleiro Grego no título da Eurocopa de 2004 e também o meia argentino Leto, até pouco tempo no Panathinaikos e hoje no Catania

No quesito títulos, o Olympiacos também leva vantagem. São 40 campeonatos gregos, 25 copas da Grécia, 4 supercopas da Grécia e outros títulos de menor expressão. O Panathinaikos venceu 20 vezes o campeonato grego, 17 vezes a copa grega e 4 vezes a Supercopa da Grécia. O clube também já alcançou uma final de Uefa Champions League em 1971 quando perdeu para o Ajax-HOL.

Brasileiros importantes já atuaram pelos clubes, no que se destacam o meia Giovanni (foto) ex-Santos (Olympiacos) e os penta-campeões Rivaldo (foto) (Olympiacos) e Gilberto Silva (Panathinaikos), este que ainda foi eleito e está na lista dos 10 maiores jogadores do Panathinaikos de todos os tempos. Apesar disso no momento não há brasileiros nos dois clubes.

Um fato que marca também as histórias dos clubes foi a conquista da Eurocopa de 2004 em Portugal pela Grécia. Isso porque boa parte da seleção grega atuava nos rivais. Nada mais nada menos que 10 jogadores. Destaques para o goleiro Nikopolidis, o lateral Seitaridis, que após boa atuação contra Portugal se transferiu para o Porto e o meia Basinas.

Curiosidades finais estão nos nomes e emblemas. Enquanto o Olympiacos sempre teve o mesmo nome e traz em seu escudo o símbolo dos vencedores de Jogos Olímpicos, um jovem laureado* o seu rival da capital já foi chamado de Football Club of Athens e também Panhellenic Football Club. O nome atual foi dado em 1924. O clube tem ainda um trevo de quatro folhas como símbolo. Este foi inspirado pelo canadense de origem irlandesa William Sherring atleta vencedor da maratona olímpica em 1906 que corria com um grande trevo em sua camisa.
 
Emblemas
* O verbo laurear tem o significado de ganhar, coroar, receber mérito